Aula 9 de Teoria da Comunicação: A TV é pública? E eu com isso?

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Por Alysson Souza

Talvez muitos ainda não tenham percebido, mas há um fenômeno novo na televisão brasileira: o crescimento do número de canais públicos, com programação bem diferente das oferecidas pelas televisões comerciais. A maioria não exibe propaganda e trata o telespectador como cidadão e não apenas como consumidor. No Brasil, as televisões surgiram e se fortaleceram sendo bancadas justamente pela publicidade; só mais recentemente começaram a se consolidar algumas emissoras não comerciais financiadas pelo poder público: são as TVs estatais e públicas. A TV Universitária (TV U) é um exemplo desse modelo de televisão. Em quase todos os outros estados brasileiros esse modelo se repete, com emissoras vinculadas aos governos estaduais e as assembleias legislativas.

Enfatizo aqui que praticamente cada estado do país possui uma emissora pública que mantém uma programação com um conteúdo educativo que é bastante diferente das do setor privado. Aqui em Pernambuco, exemplifico mais uma vez a TV U que se separou definitivamente dos moldes mais conhecidos pelos telespectadores, que não depende do dinheiro da publicidade, então teria, em teoria, maiores condições de inovar. Mas, o que diferencia diretamente a TV pública, da rede Globo, que é uma TV privada, por exemplo? Qual é a especificidade de uma TV pública? A primeira delas, cita Gustavo Almeida em nosso bate-papo, é que a TV pública é uma TV feita para o público e com participação do público; uma forma complementar, assuntos que não são de total interesse da TV privada, porém, o principal ponto que difere totalmente é a abordagem que essa televisão vai dar a certos assuntos e também à chamadas e vinhetas, com um cunho de experimentação como divulgar uma campanha para surdos e mudos nas escolas, em que, de repente, o áudio fica mudo ou também fazer vinhetas em que mostram imagens quase estáticas por alguns minutos de paisagens da região metropolitana do Recife, fazendo com que o telespectador contemple paisagens por alguns minutos, quebrando os parâmetros mais familiares na televisão de muita informação em pouco tempo.

O que emissoras privadas exibem em sua grade de programação é produzido por elas mesmas. Aí está uma das principais diferenças entre o setor privado em comento e setor público. A TV pública também exibe conteúdo produzido pelo produtor independente. Toda a nossa cultura televisiva é baseada nas emissoras comerciais e principalmente o entretenimento, onde o jornalismo é um apêndice da programação. Na Pública, tem-se um desafio muito grande, que é tratar assuntos complexos de maneira que as pessoas entendam e levar isso (o conhecimento), ao maior número de pessoas é um dever do comunicador. É um desafio, claro, pois os assuntos são áridos, em geral, porque não é de costume do consudimor assistir a, por exemplo, um documentário sobre vida e obra do escritor Osman Lins, digamos, além do limite de orçamento fazer algo bem produzido para que isso chame a atenção de alguma forma.

Outro ponto que difere do setor privado, é um maior comprometimento em relação a constituição federal da comunicação social, em que no Capítulo II, diz que deve haver uma “(…) promoção cultura nacional e regional; estímulo à produção independente que objetive sua divulgação (…)”, Mas, na realidade, esse ponto nas emissoras que não são públicas é totalmente contrário pois não há esse estímulo regional, já que é radiado a maior parte do conteúdo cultural de duas cidades para o resto do país e também não há uma produção independente na televisão brasileira atualmente. Em Pernambuco, todos os veículos de comunicação privados não seguem essas regras da constituição, já a TV U, faz a sua diferenciação com um segmento tido como próprio.

Explano aqui que esse tipo de comunicação pública, especificamente, as emissoras, devem receber maior apoio governamental, tanto na produção de conteúdo como na divulgação. Partindo para o âmbito da divulgação, o que diferencia, principalmente, a pública da privada é com certeza a qualidade da imagem e o modo como ele é exposto, abordado, mas é algo tão novo que já está sendo vigente no Brasil, não só no nosso Estado que ainda não tem “um concreto”, assim digamos, mas que tende ser fortificado na comunicação.

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